Maria ainda não é mãe, mas tem uma sobrinha fofa que é como se fosse sua filha. Ela tem quase 1 ano e meio. E ontem foi o seu 1º dia na creche. Foram dias pra me acostumar com a idéia de que ela ficaria na escolinha todas as tardes, longe da gente, distante do nosso aconchego. Até que ONTEM chegou. Resolvi então dar uma passadinha lá na creche no meu horário de intervalo aqui do trabalho, pra ver como ela estava indo no seu 1º dia. Era melhor eu não ter ido. Saí de lá quase que trazendo-a embora comigo. O lugar é muito bom, espaçoso, cheio de crianças e de professorinhas cuidadosas. Mas e ela? Lá, sozinha, desenturmada, na esperança de que chegasse alguém conhecido. Não tinha um pingo de sorriso no seu rosto, o que é muito diferente dela, que só vive sorrindo. Não conseguia brincar nem interagir, nem comer e nem dormir. Fiquei com ela no colo o tempo todo. Tentei fazê-la sorrir, mas ela só queria chorar. Sua expressão era de tristeza. E não passou. É assim né? Toda mudança nas nossas vidas requer de nós adaptações. Maria custa a se adaptar a esse tipo de situação, pois o tamanho do meu amor por ela é inversamente proporcional ao tamanhinho dela. Seu nome??
Quando você crescer, quero que você leia essa mensagem que a titia fez pra você:
Agradeço a Deus todos os dias por você ter nascido.
Acordo toda manhã com seus passinhos em direção à porta do meu quarto.
Chego do trabalho na certeza de encontrar você em casa.
Você é o assunto mais popular quando estou com meus amigos.
Se eu pudesse, viveria te filmando, te fotografando.
Pra não perder um momentinho seu sequer.
Até parece que você nasceu da minha barriga.
Fico olhando pra você e desejando que você não cresça.
Desejando que você não vá embora.
Porque você torna a vida de todos mais feliz.
Da titia, da mamãe, do papai, da vovó Zélia, da vovó Irene, do tio Beto, do tio Cuco e do Titico.
Pergunto onde está a foto do vovô.
E você aponta.
Você o conhece de alguma forma.
E ele também te conhece.
Parte das bochechas sabemos de quem você herdou.
Tudo o que você faz é engraçado.
Tudo o que você ainda não faz eu ensino.
E quem aprende com você sou eu.
Eu morro de rir...
Quando você mostra os seus dentinhos peeeerfeitos.
Quando você dança a musiquinha dos Backyardigans ou a da bailarina que gira sem parar.
Quando pisca os olhos "paquerando".
Quando come tudo o dia inteiro.
Quando reza pro Papai do Céu.
Quando corre e ninguém alcança.
Quando chama o au-au.
Quando pede a bênção.
Quando me acorda de manhã fazendo "pom" no meu nariz.
Quando liga e desliga a televisão, o rádio e as tomadas.
Quando tira o ralo da banheira e molha tudo.
Quando mexe nas coisas e, quando pára de mexer, a gente já sabe que você tá dodói.
Quando diz "ecca" quando vê uma coisa suja.
Quando dorme.
Quando acorda com os cachinhos tudo arrepiado.
Quando eu faço graça e você fica com soluço de tanto rir.
Quando parece saber de tudo e entender tudo.
Quando balança a cabeçinha dizendo "não".
Quando fica no banheiro me fazendo companhia quando tô tomando banho.
Quando faz carinho, abraça e manda beijo.
Quando bota as "fotos" pra dormir, e beija as fotos o dia todo.
Quando brinca com a menininha do espelho (que é você mesma).
Quando funga pra mostrar o narizinho.
Quando chora quando me vê de bolsa pra sair.
Quando você corre pra eu te pegar.
Quando você sopra.
Quando diz onde a titia te ama (no coração).
Quando mostra a lua.
Quando diz "chuva".
Quando bebe água na canequinha, ou quando derrama tudo se botar no copo.
Quando você acha tudo o que a gente tá procurando, e que foi você mesma quem escondeu.
Porque você sabe direitinho de todos os cantos daquela casa.
Vou ficar com muita saudade quando você sair de lá.
Como é que vai ser?
Não vou me acostumar.
Fica.
Esse amor é gratuito. Nada pede. Nada exige.
Só dá, incondicionalmente.
Sua mãe eu não sou.
Mas, quando Deus me abençoar para ser,
Que seja de uma menininha como você!